Cadeia de Carbono apreende cargas destinadas à Refinaria de Manguinhos

A operação da Receita Federal deflagrada nesta sexta-feira (19/9) para investigar crimes na importação de petróleo e combustíveis tem entre os alvos cargas de correntes de petróleo destinadas à Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, da Refit. Batizada de Cadeia de Carbono, é um desdobramento da Quasar, Tank e Carbono Oculto.

O órgão do Ministério da Fazenda reteve a carga de dois navios destinados à refinaria no porto da capital fluminense. Segundo a Receita, são investigadas práticas de interposição fraudulenta, isto é, a ocultação de reais importadores e a origem dos recursos financeiros das operações.

A Receita Federal se recusou a apontar o destinatário das cargas ou as empresas transportadoras e importadoras envolvidas, afirmando que isso prejudicaria as investigações. A agências eixos confirmou com duas fontes envolvidas nas operações que se tratam de cargas de condensado de petróleo destinadas à refinaria localizada na Zona Norte da capital fluminense.

O fluido, no entanto, ainda vai passar por perícia, dado que uma das suspeitas envolve fraude na declaração.

Apesar de a empresa não ser um dos alvos da Carbono Oculto – tampouco seu controlador, o advogado Ricardo Magro – a operação envolveu o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Rodopetro, distribuidora com sede em Goiás, mas que opera dentro da refinaria de Manguinhos.

Dois navios foram alvos, um na área de fundeio do Porto do Rio e o segundo, em passagem pelo Espírito Santo. A operação contou com apoio da Marinha do Brasil e envolveu a interceptação em alto mar.

Desde as operações anteriores, está no radar o desvio de nafta, usada na formulação de gasolina ou vendida como se fosse o combustível final, fora de especificação. Emendas no projeto da reforma tributária tentam fechar um benefício tributário que favorece a prática.

Fazenda muda desembaraço e pede apoio ao Judiciário

Em coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que a Receita Federal irá publicar nesta sexta (19/9) uma Instrução Normativa para disciplinar a prática de desembaraço antecipado – amplamente utilizada pelas empresas que foram alvo da operação Cadeia e Carbono.

“Essa era uma das estratégias em que você usava vários portos do Brasil: um para desembaraçar e outro para descarregar a mercadoria. E era nesse tipo de concessão do Estado que você tinha muitas vezes a operação, o recurso ao judiciário para poder impedir que a receita exercesse as suas funções, então é isso que estamos fechando com essa Instrução Normativa”, disse Haddad.

Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o governo busca apoio do Judiciário para impedir que limiares impeçam a continuidade das operações. “Nós estamos também em um diálogo com o Judiciário, para informar dessa situação de inserção de organizações criminosas no setor de combustíveis”.

Há um esforço para “convencer os juízes, para informar os juízes a não concederem liminares para a liberação dessas mercadorias, para não aceitarem garantias idôneas, que muitas vezes são apresentadas por essas empresas para a liberação dessas cargas apreendidas”.

Operações se aproximam dos negócios da Refit

Segundo dados oficiais, a Refit importou apenas diesel este ano, sempre com desembaraço em Maceió (AL), mas tendo como destino final, principalmente, os mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A Refit ou seu controlador, Ricardo Magro, têm relação comercial com outras importadoras – as mais conhecidas são Axa Oil e a Fair Energy – esta última, cliente do escritório de Ricardo Magro. Ele nega todas as alegações.

“Diante das denúncias já realizadas pela Refit, a empresa vem sofrendo ameaças e retaliações de criminosos, inclusive com a explosão de postos de gasolina do grupo do qual faz parte”, disse a empresa após a Carbono Oculto.

A Axa Oil já foi processada pela própria Receita Federal por dívidas no pagamento de impostos federais, em ação que atribui responsabilidade solidária à Refit em contratos de importação “por conta e ordem”.

As empresas importam diesel, gasolina e nafta, inclusive da Rússia, filão de mercado que se abriu após a invasão da Ucrânia – diante da necessidade de escoar produtos para países não sancionados que chegam mais baratos no Brasil que os derivados produzidos nos EUA.

Ao todo, a investigação envolveu 11 alvos nos estados de Alagoas, Paraíba, Amapá, Rio de Janeiro e São Paulo.

Operação Cadeia de Carbono mira fraude em importações de combustíveis

Em Alagoas, foram desembaraçadas cargas totalizando 1,3 bilhão de toneladas de petróleo, diesel e outras correntes pela Axa Oil, Fair Energy e Refit entre janeiro e agosto de 2025.

No período, nenhuma outra empresa importou óleo ou combustíveis por Alagoas, estado em que a Refit concentrou todas as duas operações. Axa e Fair Energy também operam diretamente no Porto do Rio.

Paraíba e Amapá criaram os ‘corredores’ de importação, dando vantagens fiscais para entrada de nafta, combustível e outras correntes.

Cautelar da ANP permitiu permanência da Rodopetro na Refit

Segundo a Receita Federal, a Cadeia de Carbono é um desdobramento da operação Quasar e Tank, deflagradas junto com a Carbono Oculto. Desta vez, mira a importação fraudulenta de combustíveis, por meio de ocultação dos reais importadores.

Graças a uma decisão cautelar da ANP de dezembro de 2023, a Rodopetro permanece no mesmo endereço da Refinaria de Manguinhos. As empresas possuem duas autorizações de cessão de espaço que venceram em novembro de 2024 – mas seguem em vigor por decisão da diretoria.

Em abril de 2023, a agência aprovou uma medida cautelar válida até janeiro de 2024 que beneficiou a Refit, uma vez que o contrato com a Rodopetro corria o risco de ser cancelado por uma falha regulatória.

Poucos dias antes da medida cautelar vencer, em dezembro de 2023, os diretores decidiram prorrogá-la até a conclusão da revisão da resolução sobre o tema (852/2021), o que, de acordo com a agenda regulatória, está previsto para ocorrer em maio de 2026.

O Ministério Público de São Paulo aponta que, após a revogação das autorizações da Aster e da Copape, em julho de 2024, o mercado da Aster (que atuava no elo da distribuição, enquanto a Copape agia na formulação), foi absorvido pela Rodopetro.

Segundo o MP, a empresa do grupo Manguinhos “praticamente dobrou suas aquisições para poder englobar as operações do grupo Aster/Copape” e assumiu o papel da distribuidora comandada por Mohamad Hussein Mourad.

O movimento de substituição representa “uma nova camada de ocultação para burlar as proibições impostas à Copape e à Aster”.

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, são apontados como os líderes da organização que, por meio do setor de combustíveis cometeu crimes de lavagem de capitais, fraudes tributárias e estelionato em operações que ultrapassam os R$ 8,4 bilhões.

Em nota, a Refit informou que “declara seus resultados com transparência, emite regularmente suas notas fiscais e questiona legitimamente na Justiça a cobrança de tributos que considera inconstitucional”.

Com 70 anos de tradição no refino de petróleo, a Refit sempre esteve alinhada ao compromisso de elevar a qualidade dos combustíveis no Brasil. Essa dedicação se traduz em rigor e compliance ao longo da cadeia, assegurando qualidade em estrita conformidade com as normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A Refit declara seus resultados com transparência, emite regularmente suas notas fiscais e questiona legitimamente na Justiça a cobrança de tributos que considera inconstitucional.

A Refit está sempre à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que julgarem necessários.

Autor/Veículo: Eixos

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Veja também:

Refinaria Clara Camarão aumenta preços da gasolina e do diesel

A Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, reajustou nesta quinta-feira (2) os preços da gasolina A e do diesel A S500. O aumento interrompe uma sequência de duas semanas consecutivas de redução nos valores praticados pela unidade. Os novos preços valem para as vendas realizadas diretamente pela refinaria. No entanto, eles não

Leia mais... »

Petróleo fecha em alta após ataques entre EUA e Irã

Países intensificaram ataques neste fim de semana e ameaçam escalada no Oriente Médio Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 1% nesta segunda-feira (29), depois que os ataques entre os Estados Unidos e o Irã destacaram a fragilidade do acordo de paz provisório entre os dois países,

Leia mais... »