CNA pede ao governo aumento da mistura de biodiesel para 17% devido ao conflito no Oriente Médio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal o aumento da mistura mínima obrigatória de biodiesel ao óleo diesel dos atuais 15% para 17%. A entidade argumenta que se faz necessária a implementação urgente do B17 em virtude da escalada do conflito no Oriente Médio, já que a elevação do petróleo reflete no aumento do preço do diesel no mercado doméstico.

O pleito foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva, informou a confederação à Estadão/Broadcast.

A entidade argumenta que o setor produtivo está preocupado “com as elevações no preço do petróleo, com as oscilações no abastecimento, com os custos logísticos e com o potencial impacto no desempenho da macroeconomia nacional” decorrentes do conflito no Oriente Médio, iniciado no último sábado, 20 de fevereiro.

Para a CNA, nesse contexto, é “urgente” a ampliação do mandato de biodiesel com preço competitivo do biocombustível e potencial de frear eventuais escaladas de preços de transporte no País.

A CNA cita que o preço do petróleo Brent chegou a US$ 84 por barril, com alta de mais de 20% acumulada em relação ao fim de fevereiro. A entidade argumenta ainda que, a título de comparação, na iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do barril do petróleo subiu 40% com reflexo de alta de 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel, respectivamente.

“Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, justificou a entidade.

A confederação lembra que a implementação do B16 estava prevista para 1º de março, conforme o cronograma estabelecido, o que não ocorreu. “No novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, argumenta a CNA.

Diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi disse, em entrevista à Estadão/Broadcast, que o impacto do conflito nos combustíveis é a preocupação número um do setor produtivo neste momento, em meio às atividades de colheita da primeira safra e preparação para plantio da segunda safra, em que há maior utilização de diesel nas operações mecanizadas das lavouras.

“O preço do barril do petróleo tem aumentado bastante e recebemos relatos de produtores reportando aumento de R$ 1 no preço do diesel na bomba, o que vemos como um exagero. Portanto, pedimos de forma preventiva o B17 para evitar aumento maior no preço do diesel e coibir possíveis abusos identificados”, afirmou Lucchi.

Do lado da oferta, Lucchi destaca que a soja se encontra em plena safra, com amplo potencial de abastecimento das indústrias esmagadoras. “Estamos colhendo safra recorde, com preços de soja abaixo do visto desde a pandemia de covid-19, o que fornece condição do biodiesel ser competitivo tanto para evitar aumento de custo no transporte logístico do Brasil quanto para aumento no custo de produção”, apontou Lucchi. Ele cita ainda a preocupação da entidade com possíveis efeitos do aumento “exagerado” do preço dos combustíveis, como a criação de uma demanda artificial e riscos de oscilações no abastecimento.

O porcentual mínimo de biodiesel adicionado ao óleo diesel é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o qual tem reunião prevista na próxima semana com possibilidade de inclusão do tema na pauta.

Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Veja também:

Refinaria Clara Camarão aumenta preços da gasolina e do diesel

A Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, reajustou nesta quinta-feira (2) os preços da gasolina A e do diesel A S500. O aumento interrompe uma sequência de duas semanas consecutivas de redução nos valores praticados pela unidade. Os novos preços valem para as vendas realizadas diretamente pela refinaria. No entanto, eles não

Leia mais... »

Petróleo fecha em alta após ataques entre EUA e Irã

Países intensificaram ataques neste fim de semana e ameaçam escalada no Oriente Médio Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 1% nesta segunda-feira (29), depois que os ataques entre os Estados Unidos e o Irã destacaram a fragilidade do acordo de paz provisório entre os dois países,

Leia mais... »