A Federação Nacional do Comércio
de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis)
informa que postos de combustíveis em todo
o país continuam comprando etanol hidratado
e gasolina por preços mais elevados, apesar
do início da safra. A alta tem sido atribuída
aos maiores valores de aquisição junto
às usinas e à majoração
da base de cálculo dos tributos. “Assim
como os consumidores, nós, donos de postos,
também estamos indignados e surpresos com
a constante e persistente elevação
dos preços de aquisição dos
combustíveis, mesmo com as notícias
de início da safra de cana-de-açúcar
e da chegada dos carregamentos de anidro importado”,
explicou Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis.
Os dados do Centro de Estudos Avançados
em Economia (Cepea/USP) mostram que o litro do anidro
registrou alta de 10,23% na semana encerrada em
20 de abril, ante a semana anterior, atingindo os
R$ 2,7257. O hidratado, por sua vez, reverteu a
tendência de queda e subiu 5,24% em igual
período de comparação, apesar
das notícias de redução na
demanda pelo produto.
O anidro é misturado à gasolina A
para formar a gasolina C, vendida nas bombas dos
postos de combustíveis. Desde o início
do ano, o anidro já subiu 113% nas usinas,
sem frete ou impostos, o que elevou em 17% o custo
da gasolina. No mesmo período, o litro da
gasolina C subiu 9,5% na distribuição
e 8,6% na revenda, analisando os dados médios
para Brasil, divulgados pela ANP.
“Os números mostram que a revenda
nem sequer repassou para o consumidor toda elevação
de custo de aquisição que vem enfrentando
devido à alta dos preços nas usinas.
Infelizmente, a origem dos maiores custos nem sempre
fica clara para o consumidor, que culpa os postos,
último elo da cadeia, pelos aumentos ocorridos
ao longo das outras etapas de produção
e comercialização”, ressalta
Paulo Miranda Soares.
Além dos maiores custos para o anidro, também
tem impacto no preço final o incremento da
carga fiscal. A maior parte dos estados brasileiros
realiza a tributação de ICMS por Preço
Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF),
que usa como base de cálculo do imposto uma
média de preços do mercado. Quando
os preços sobem, aumenta também a
base de cálculo e o tributo cobrado. Tal
situação tem sido registrada na maior
parte dos estados. Em Minas Gerais, por exemplo,
somente o incremento na tributação
vai elevar em R$ 0,0341 o litro da gasolina e em
R$ 0,0640 o do etanol hidratado no dia 1º de
maio.
A Fecombustíveis ressalta que os preços
são livres em todas as etapas (produção,
distribuição e revenda), cabendo aos
agentes determinar seus preços com base em
suas estruturas de custo e margens. Entretanto,
é importante manter a sociedade informada
sobre alterações ocorridas em outros
elos do mercado de abastecimento, evitando assim
que os postos de combustíveis, face mais
visível dessa complexa cadeia, sejam responsabilizados
por aumentos que lhe foram apenas repassados.