Petrobras reduz em 5,6% o preço da gasolina nas refinarias

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (2) corte de 5,6%, ou R$ 0,17 por litro, no preço da gasolina vendida por suas refinarias. O novo valor, de R$ 2,85 por litro, passa a vigorar nesta terça (3).

Foi o primeiro corte no preço do combustível desde julho de 2024. Considerando que a mistura vendida nos postos tem 27% de etanol, a estatal espera um repasse ao consumidor final de R$ 0,12 por litro.

“Com o reajuste anunciado, a Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços da gasolina para as distribuidoras em R$ 0,22 por litro, uma redução de 7,3%. Considerando a inflação do período, esta redução é de R$ 0,60 por litro ou 17,5%”, afirmou a empresa, em nota.

A redução do preço da gasolina tem grande impacto na inflação, já que o combustível é o produto com maior peso no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), referência para a definição da política monetária do país.

Segundo o economista André Braz, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), caso o repasse estimado pela Petrobras for atingido, a queda da gasolina terá um impacto negativo de 0,10 ponto percentual no IPCA.

“Considerando que a inflação de junho poderá ficar próxima 0,30% esse reajuste encolheria a inflação que inicia o mês pressionada pelo aumento da conta de luz pressionada pela prática da bandeira vermelha”, afirmou ele.

O corte era esperado pelo mercado, diante da queda das cotações internacionais do petróleo, principalmente após o início da guerra tarifária do presidente dos Estados Unidos Donald Trump e de aumento da produção por países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Nesta segunda, por exemplo, o preço médio da gasolina nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,08 por litro acima da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

A estatal, porém, vinha afirmando que aguardava a estabilização dos preços às vésperas do verão no Hemisfério Norte, quando o mercado de gasolina fica mais aquecido, pressionando as cotações internacionais.

“A redução deixa o preço em linha com as cotações internacionais, e não chega a inviabilizar a importação de cargas estrangeiras”, afirmou Amance Boutin, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria especializada Argus.

Segundo ele, a Petrobras vinha praticando na região Nordeste preços superiores aos concorrentes. “A redução de preços permite que a Petrobras defenda a participação de mercado com seus concorrentes diretos, mas também com o etanol hidratado, em um momento de ampla oferta na região do Centro-Sul, onde a safra de cana-de-açúcar está em curso”, completou.

Em 2025, a Petrobras já promoveu quatro reajustes no preço do diesel, um aumento no início do ano e depois três cortes. Na abertura do mercado desta segunda, o preço do combustível nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,04 por litro acima das cotações internacionais.

A empresa tem reclamado, porém, que as quedas não estão sendo totalmente repassadas ao consumidor. Em entrevistas recentes, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, pediu ao motorista que cobre do seu posto a queda dos preços.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), porém, o preço do diesel S-10 tem queda acumulada de R$ 0,39 por litro nas bombas desde o pico de R$ 6,47 atingido no fim de fevereiro.

Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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