A presidente da Petrobras, Magda Chambriar afirmou que o aumento do lucro da companhia de 200% mostra os esforços para aumentar a produção eas vendas e dá um sinal claro para que os investidores continuem confiando na empresa.
A Petrobras divulgou na quinta-feira (5) que obteve lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$ 70 por barril, de acordo com o balanço.
“Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, comentou Chambriard em entrevista à Reuters, ao comentar o resultado da companhia.
A CEO afirmou que a Petrobras continua observando o comportamento do mercado de petróleo, que vive uma disparada de preços desde o início do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, antes de qualquer decisão sobre eventual repasse de preços.
“Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao país no novo cenário de Brent que o contexto mundial está desenhando”, avaliou.
Algumas distribuidoras de combustíveis já estariam se antecipando e repassando aos postos uma alta de preços pelo impacto da disparada do petróleo no mercado internacional, informou a Fecombustíveis na quinta-feira (5).
A entidade, que reúne sindicatos patronais que representam cerca de 45 mil postos de combustíveis no país, informou ter recebido relatos de que distribuidoras estão elevando os preços, já que parte do fornecimento é importada e parte feita por refinarias privadas. “Por isso, os preços nacionais são afetados pelos preços praticados no mercado externo”, afirmou a entidade.
“Os postos revendedores, por sua vez, representam apenas o último e mais frágil elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento do custo para a compra dos combustíveis junto às distribuidoras, com possíveis reflexos nos preços ao consumidor”, afirmou.
O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de 70% do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços.
O preço do diesel vendido pela Petrobras a distribuidoras está cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou um relatório do Goldman Sachs enviado a clientes na quinta-feira.
O presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araujo, afirmou à Reuters nesta quinta-feira que entende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços internos, citando riscos de a conjuntura desestimular compras pelos importadores, que abastecem parte do mercado.
Procurada, a distribuidora Ipiranga —uma das três maiores do país, juntamente com Vibra e Raízen— afirmou que a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor.
A empresa disse ainda que “o preço final nos postos é definido pelos revendedores, uma vez que o mercado brasileiro opera sob o princípio da livre concorrência, conforme estabelece a legislação”.
As outras duas principais distribuidoras não se manifestaram, enquanto o IBP, que representa todas elas, afirmou que a formação de preços dos combustíveis na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e demanda.
Já a Fecombustíveis ressaltou a importância de “esclarecer os fatos”, para que os postos revendedores não sejam “injustamente responsabilizados” pela opinião pública em razão do aumento dos custos de operação causados por majorações de preço ocorridas em etapas anteriores da cadeia.
(Reuters)
Autor/Veículo: Folha de São Paulo


