Iniciada na primeira semana de abril, a safra de cana-de-açúcar deste ano entrará para a história, assim como a de 1976, a primeira efetiva depois do lançamento do Pró-Álcool. Ambas são marcadas por choques de petróleo, mas em contextos diferentes. Brasil e Estados Unidos são exportadores líquidos de petróleo e biocombustíveis, a China é a maior importadora de energia e os países do Golfo Pérsico estão entre os maiores investidores financeiros do planeta. O endividamento fiscal de países desenvolvidos e emergentes hoje é mais alto, a presença das fontes renováveis é crescente e cadeias globais de valor não eram tão interconectadas como agora. Assim, a janela que se abre para o etanol pode ser maior.
A guerra contra o Irã fechou o estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do óleo e gás natural do mundo circula, e trouxe prejuízos para polos de produção da região. “A normalização só ocorrerá quando as seguradoras derem o aval, o que leva meses. Até lá, uma cartomante e um analista têm o mesmo poder de previsão”, sintetiza David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A incerteza trouxe outro tom: 51% da cana será destinada ao etanol. “Os preços estavam baixos, mas o cenário atual valoriza o etanol”, diz o economista da consultoria Pecege Raphael Delloiagono. Para ler esta notícia, clique aqui.
Autor/Veículo: Valor Econômico


