Câmara deve votar hoje projeto que pune ‘devedor contumaz’ de impostos

O governo tenta votar nesta terça-feira na Câmara dos Deputados o projeto de lei que pune o chamado devedor contumaz. O relator do projeto, deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), decidiu não alterar o texto aprovado no Senado, e se o texto for aprovado dessa forma, segue direto para sanção do presidente Lula.

O líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), confirmou que há acordo para colocar o projeto de lei em votação, após entendimento entre a articulação política e o Ministério da Fazenda.

O projeto é tratado como prioridade pelo governo e visto como uma forma de combater o crime. Desde a semana passada, a orientação repassada aos líderes da base era manter o texto como veio do Senado para evitar que a proposta precise retornar à outra Casa, o que atrasaria a implementação das novas regras.

O projeto estabelece critérios objetivos para identificar o devedor contumaz, definido como o contribuinte com inadimplência “substancial, reiterada e injustificada”. Entre as medidas previstas, estão o impedimento de participar de licitações, a proibição de receber benefícios fiscais e a vedação ao ingresso ou prosseguimento de recuperação judicial. O governo argumenta que o mecanismo mira estruturas empresariais organizadas para a sonegação, e não empresas em dificuldade financeira.

A proposta também cria instrumentos de conformidade cooperativa, como os programas Confia e Sintonia, que permitem autorregularização, classificação de risco e concessão de benefícios a contribuintes com bom histórico, incluindo bônus de adimplência fiscal. A Fazenda defende que essa combinação reduz litigiosidade e melhora a previsibilidade para empresas e para a arrecadação federal.

Líderes da base afirmam que há “ambiente favorável” para aprovar a proposta nesta semana. Se o texto passar sem alterações, segue direto para sanção presidencial.

O texto foi apoiado por entidades empresariais. Em nota, organizações como Abegás, Fiesp, ANTF, IbP, Sindicom, UNICA, ABRASCA, ABTP e o Instituto Combustível Legal (ICL) afirmam que o projeto consolida programas modernos de conformidade fiscal.

“Manter o atual vácuo normativo e a fragmentação de regras sobre o tema beneficia justamente os agentes que operam à margem da lei, muitos dos quais se associam a estruturas criminosas organizadas que utilizam a inadimplência tributária como fonte de financiamento e distorção concorrencial”, diz trecho.

Autor/Veículo: O Globo

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Veja também:

Refinaria Clara Camarão aumenta preços da gasolina e do diesel

A Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, reajustou nesta quinta-feira (2) os preços da gasolina A e do diesel A S500. O aumento interrompe uma sequência de duas semanas consecutivas de redução nos valores praticados pela unidade. Os novos preços valem para as vendas realizadas diretamente pela refinaria. No entanto, eles não

Leia mais... »

Petróleo fecha em alta após ataques entre EUA e Irã

Países intensificaram ataques neste fim de semana e ameaçam escalada no Oriente Médio Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 1% nesta segunda-feira (29), depois que os ataques entre os Estados Unidos e o Irã destacaram a fragilidade do acordo de paz provisório entre os dois países,

Leia mais... »